Há mais de 30 anos (é, porque antes que eu nascesse, existi por 9 meses) vivo em um ambiente autoritário. Família autoritária aqui é apelido e isso sempre se estendeu a tios, primos, avós. São duas famílias com suas diferenças, mas todos (eu disse todos, sem exceção) são autoritários. Cada um conseguindo o que quer, do jeito que quer, no momento que quer. Quase todos são líderes nos lugares em que habitam não importando muito a profissão ou o meio como vivem. Eu, desde muito pequena, aprendi meio que na marra que é mais fácil conseguir o que se quer quando se é autoritário do que quando se é submisso. E eu não digo autoritarismo no sentido de 'mandar' não. Digo no sentido de envolver a presa. Traçar o objetivo e caminhar para consegui-lo. Aqui, uns são mais ansiosos e caminham fazendo barulho, quase correndo. E talvez eu faça parte desse bando. Mas, quem vai com muita sede ao pote acaba desperdiçando mel e eu sigo um eterno aprendizado de caminhar devagar como uma raposa atrás de galinhas. Proeza dos mais experientes, dos mais espertos, dos mais astutos. Que conseguem, com uma aparente conversa mole, serem lobos e convencerem seus porquinhos a deitar na assadeira com a maçã na boca de livre e espontânea vontade.
Eu digo autoritarismo porque para se viver, a convivência social é necessária. É, porque se não fosse, certamente metade de nós a dispensaríamos. Mas precisamos de outras pessoas a todo momento e para tudo. E aí a humanidade se divide simplesmente em quem come e quem é comido. E deve ser assim desde que o mundo é mundo e quem aqui sai dizendo que os direitos são iguais e que as pessoas tratam e são tratadas da mesma forma, filhinho... você é um tremendo hipócrita.
Admiro quem é autoritário sem ser estúpido. Quem sabe, com a sutileza de argumentos ou gestos, conseguir ser ouvido, conseguir ser respeitado. Eu acho mesmo que aquela coisa de bonzinho só se fode é a mais pura verdade e quando encontro com um já penso que curte ser capacho. Sinto muito, sabe? É algo que pra mim vem de berço essa coisa de impor limites. Impor regras. Separar pessoas. As pessoas que me conhecem bastante sabem que há a distância certa, o assunto certo e o dia certo pra falar comigo, e as que não me conhecem conseguem dar alguns passos para trás de acordo com o meu olhar. Eu gosto, sabe? Gosto de ser assim. Gosto que seja claro o que eu penso. Gosto do meu ar ameaçador. E, apesar de achar que toda a minha família é um tremendo porre (porque aqui dentro ninguém abaixa a cabeça pra ninguém) eu gosto bem de pertencer a esse povo. Gente que me faz pensar que não há obstáculo lá fora que seja maior que o que está aqui dentro. Gosto de saber que voz ativa é o nosso lema, seja matando estilo Massacre da Serra Elétrica ou estilo Jigsaw. E eu bem que prefiro muito mais ser ovo de tiranossauro rex do que de galinha.
Eu realmente espero que a humanidade boazinha me esqueça. Que os frufrus não cruzem o meu caminho, que os seres que babam mantenham a distância. Pessoa boazinha é mesmo um amor, mas não te leva a lugar nenhum. Mas pessoas com ar de superioridade disfarçada de bondade me encantam. Humildade com ar sarcástico. Gato que se veste de rato e vai brincar de quem mexeu no meu queijo. Gente inteligente, gente difícil, gente complexa, gente que me faz pensar. Me faz querer desvendar. Gente mais esperta que eu e que faz com que eu queira ser igual. É desse tipo de gente que eu gosto de me aproximar, é esse o tipo de gente que me cerca. Gente que se eu me distrair, me abocanha. E é exatamente com esses que eu gosto de brincar.




11 comentários:
Ah, fófis, também não tenho paciência com gente lerda não (porque eu já faço a conexão boazinha = lerda)! E CERTO que, se eu pudesse dispensar a humanidade...*suspira*
Beijo!
ai... bom saber q vc não me considera da família viu??
(falou a lerda/boazinha ou falsa...)
ieu
Renata (vou bancar a metida, não me mata): vai com calma, mulé, que a gastrite vai te pegar, numa dessas. Eu diria que eu acho ruim os dois extremos, tanto ser submisso quanto autoritário. E até diria mais: não acho que bonzinho seja sinônimo de ser capacho e/ou submisso. Mas, enfim, minha humilde opinião. Texto polêmico, renderia hoooras de discussão.
Uma boa quinta pra ti! Beijo.
Eu realmente acho que somos muito parecidas...
acho que vc não lembra, mas eu escrevia no blog loucura e insanidade do blogger, e agora estou no blogspot. Não estou escrevendo muito, mas sempre venho te ler. Adoro seus textos!
Beijo e bom final de semana!
Coloquei o site errado no coments anterior...
Não sei se sou autoritária, mas já acostumei com os olhares de "com essa aí eu não mexo". Eu prefiro nem me preocupar com os motivos desse comportamento, mas adoro ver que as pessoas pensam duas vezes antes de se arriscar comigo.
Eu sou curta e grossa, não escondo meu mau humor, não fico calada quando discordo de alguma coisa, não me aquieto quando alguma coisa me incomoda. Sabe aquele negócio de não levar desaforo pra casa? É por aí também.
Como disse, não sei se sou autoritária, mas evito ser impositiva no meu trabalho. Da mesma forma que quero um espaço para me expressar, as outras pessoas também o têm. Isso não quer dizer que eu não possa ser persuasiva né, hehe.
Bem, é isso ˆˆ
Obrigada pela visita!
Juro que fiquei com medo agora.Tem selo pra você no blog.
kkkk O que eu vou dizer? Somos irmãs gêmeas separadas na maternidade kkkkkkkkk
Adoro vc por isso, sabe né?
beijos
Sabe cute, não me canso de ler suas linhas, o texto ficou mesmo do caralho (na melhor acepção da palavra, se for possível). É difícil dizer o que o torna tão genial. Acho que me reconheci no seu desprezo por essas amebas que hoje, graças a sei-lá-quem, proliferam-se como ratos e tem por principal característica a incapacidade de se fazer respeitar. Enfim. Gostei muito. Continue sempre assim, chutando bundas!
Bjo de boa noite.. :D
Oi!
Posso dizer que concordo muito com vc mas,ao mesmo tempo, concordo tb com o comentário da Srta!, o que me faz acreditar que o melhor mesmo é o equilíbrio entre estes dois extremos. Nem mto autoritário a ponto de parecer arrogante e acabar afastando as pessoas legais do nosso convívio, e nem mto bonzinho, para que os oportunistas não montem em nossas costas.
Enfim, gostei demais do seu texto e do seu blog tb!
Bj!
Eu também gosto da distância que consigo impor às pessoas, mesmo sem todo esse ar autoritário. É bom deixar chegar perto da gente só quem a gente quer quer chegue.
Bjitos!
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