Tá vai, o ano acabou. E voou de forma absurda, como todos os outros que o antecederam. Mas devo dizer que esse fim de ano é especial. Porque é hoje que eu faço 30 anos de vida e penso muito nisso desde a década passada. Trinta é época de repensar a vida e eu digo isso por experiência própria. Hoje, nesse dia fatídico, chego à conclusão que a minha vida foi bem linear no que dependia exclusivamente de mim. Tive poucas mudanças de pensamentos e atitudes e mantive sempre a minha personalidade inicial. Essa de ser assim, para poucos. E do alto de todo esse peso de trinta anos nas costas digo que a minha vida até aqui até que foi bem proveitosa. Como a astrologia diz, fico mais sábia conforme passam os anos. Porém evoluo da responsabilidade e do pesar de um adulto para a leveza e tranqüilidade de uma criança. Efeito contrário, já me disseram. E nessa vida que passou eu já fiz muitas coisas. Já estudei todos os anos que a população exige para que eu seja uma profissional respeitada. Já recebi prova com recado da professora dizendo que eu era a melhor aluna que ela tinha. Já cabulei aula, já pulei o muro, já subi na árvore, já fui jogada na piscina, já pedi dinheiro no farol com a cara cheia de tinta verde, já quase morri escorregando de uma pedra na praia, já fui pega na hora H. Mas nunca levei ovada de aniversário. Nunca andei à cavalo. Nunca saí do Brasil. E nunca fui no show da minha banda favorita. Mas eu já caí. Muitas e muitas vezes, nas escadas, no chão molhado, na borda da piscina indo de encontro ao peguete mais lindo da minha vida, na areia do paraíso atropelada pela carroça, na rua, na chuva, na fazenda e na casinha de sapê. Já joguei Super Bonder no olho e já tirei rímel com acetona por engano. Já fui mordida pelo meu próprio cachorro. Já tive um gato inesquecível. Já comi linhaça e fiz pizza de quinoa. Ainda não aprendi a comer comida japonesa e sentir prazer. Prazer, esse que eu demorei pra saber como funcionava. Já fiquei presa no banheiro da faculdade. Já fiquei presa no banheiro da casa da sogra. Já fiquei presa na escola fechada. Já ouvi muita música e já descobri que é algo que me faz lembrar de cheiros, pessoas, lugares. E é capaz de mudar o meu humor de maneira mágica. Vi tantos filmes quantos consegui e sinto dizer que a minha memória não é o suficiente para que eu lembre de mais que os 5 últimos. Li bem mais livros que uma pessoa comum de trinta conseguiria. Já joguei muito vídeo game, muito mais do que pensei que fosse possível antes de enjoar. E já joguei de tudo. Bem mais quando era mais nova, porque a intolerância e a falta de vontade extrema de ganhar fatalmente me pegaram desprevenida conforme os anos se passaram. Desenho animado. Algo que eu amava imensamente e que hoje não é mais a mesma coisa. Já troquei a vida de ficar em casa pela de sair pra comer e então para a de sair pra balada, tudo não necessariamente nessa ordem. Aprendi a beber, deixei o cabelo crescer. Fiz natação, inglês, pintura, dança. E aprendi a bordar. Queimei muita comida pra descobrir que cozinhar é fácil e prazeroso. Fui em muitos shows. Skank, Paralamas, Titãs, Capital Inicial, Zélia Duncan, Pitty, Jota Quest, Teatro Mágico, Sandy e Júnior, Rastapé. E Aerosmith, Elton John, Madonna. Descobri que ver pessoalmente alguém que canta as músicas que eu tanto gosto é uma sensação única. Nesses 30 anos passei de gorda a magra e magra a gorda muitas vezes. Até chegar aqui e dizer pra mim mesma que agora chega e que independente de como esteja, tem gente que gosta. Só falta eu também entrar nesse time. Dormi muito. Dormi demais. Dormi ininterruptamente quase todas as noites desses trinta anos e deve ser por isso que o colágeno sempre esteve a meu favor, porque ninguém me dá nem perto de trinta anos. Insônia não é palavra presente no meu vocabulário e eu agradeço imensamente por isso. Muitos sonhos. Muitos sonhos repetidos. Muitos, muitos pesadelos. Nesses trinta anos eu me apaixonei. Muito mais do que gostaria e muito menos do que era capaz. Vivi contos de fadas e realidades amargas, tudo a seu tempo e tudo com tempo suficiente para que eu sentisse até o fim cada uma delas. Chorei até soluçar. E ri até engasgar. Talvez eu tenha rido bem mais do que chorado. Ou talvez não. Vontade de voltar atrás e viver tudo de novo, mas tudo exatamente igual. Porque é assim que tinha que ser.
E tá, queria fazer um agradecimento especial ao Bon Jovi e Aerosmith, meus verdadeiros vícios musicais de toda uma vida. Sem desmerecer de forma nenhuma todas as outras bandas e cantores de rock nacionais e internacionais: Foo Fighters, Oasis, Metallica, The Calling, Alanis, Evanescence, Guns, Madonna, Michael Jackson, Pink Floyd, Queen, Led Zeppelin, Roxette, Shakira, U2, Sheryl Crow, Shania Twain, The Beatles. Cássia Eller, Cazuza, Gal Costa, Jota Quest, Kid Abelha, Legião, Lobão, Paralamas, Pitty, Skank, Titãs, Djavan e Angélica. Todas tão presentes em momentos tão importantes. Agradeço a Marion Zimmer Bradley, Christian Jacq, Marian Keyes, Edson Gabriel Garcia, Christopher Paolini, J.K. Rowling, Antoine Galland, José Mauro de Vasconcelos, Ganymédes José, Bernard Cornwell, Margaret George, Stephenie Meyer e todos os autores que colaboraram para a existência da coleção Vaga Lume, por escreverem os melhores livros lidos por mim em todos esses anos. Agradeço também a todos os produtores de todos os filmes amados por mim em todos esses anos que, como eu já disse, a memória me impede de mencioná-los. Um agradecimento especial aos gênios de Lost e House, mas também aos que idealizaram Friends, The Big Bang Theory, Smallville, Law and Order SVU, Two and a Half Men e Sex and the City. Todos sensacionais e inesquecíveis, tanto quanto seus precursores A Feiticeira, Jeannie é um gênio, I Love Lucy, Punky, Vicky, Blosson e The Cosby Show. E aqui falou a viciada em séries de tv desde sempre. Agradeço à Mônica Martelli pela melhor peça de teatro de todos os tempos. Agradeço aos inventores da internet e softwares necessários para que hoje eu possa me divertir nesse blog, Twitter, Facebook, MSN e e-mail e não mais gastar rios de dinheiro com a conta de telefone ou esperar séculos por uma resposta de uma carta. Agradeço aos inventores de The Sims, Sim City, Roller Coaster Tycoon, Zoo Tycoon e Spore, por tantas tardes e noites de diversão. E aos donos de Playcenter, Hopi Hari e Wet 'n Wild por terem me proporcionado ocupação até que eu enjoasse de parques de diversão. Ao inventor da montanha russa. Agradeço ao Fernando por ter realizado meu sonho de ter uma tatuagem e também ao inventor da anestesia, é claro. E ao sr. Josh Holloway, por ser tão colírio. E à população feminina mundial, por me fazer perceber que era inútil ter medo de dirigir se tanta anta pisa no acelerador sem nem reparar no mundo à sua volta. Agradeço ao príncipe do hospital, por ter saído de mansinho antes que eu pudesse me arrepender de não ter correspondido. Aposto que ele devia ser um pé no saco. E também à Cleide, minha professora de matemática da sexta série, que me ensinou tudo a ponto de fazer com que essa fosse minha matéria preferida desde sempre. E à Berenice, professora de português que me elogiava tanto e hoje provavelmente esse blog não existiria se não fosse todo o confete que ela sempre jogava em cima de minhas redações. Agradeço aos meus muitos amigos japas de toda uma vida, que provavelmente influenciaram na minha vontade de estudar que me acompanha até hoje. E também aos não japas. Aos que continuam a vida aos meu lado ou com contato distante, mas também aos inesquecíveis que nunca mais vi. Agradeço ao Fernando, seu imbecil, por ter me avisado que a minha testa era grande. E à merenda escolar por formar em mim a opinião de que comida fora de casa é horrível. Por outro lado não posso deixar de agradecer à tia da cantina por ter feito os melhores pães de batata com recheio de catupiry que eu já comi por toda a vida. E à lanchonete do lado da Vivo por me proporcionar as melhores fogazzas de quatro queijos. E à tia da tapioca da rua Itapeva. Sensacional, apesar de ter quebrado meu dente. E à banca de pastel da Vila Sônia, dona do melhor pastel de frango com catupiry, tão maravilhoso quanto o pastel de palmito do Ceasa ou o pastel de queijo com calabresa da Vila Mariana. E como não poderia deixar de ser, agradeço do fundo do coração ao fundador do Mc Donalds da Henrique Shaumman, que também faz 30 anos e cresceu comigo e de mãos dadas por todos esses anos. Mas eu gostaria de deixar um agradecimento especial ao dono da rede Outback, que putaqueopariu, vai fazer comida sensacional assim lá em casa. Abraço caloroso ao inventor da pizza e agradecimento ao gordinho da pizzaria, por toda a gorgonzola que sempre me pertenceu. Agradeço ao gordinho da locadora por ter sido sempre tão gentil nas minhas locações de comédias românticas. Agradeço à viagem de colegial inesquecível. Agradeço ao Sérgio, meu ex professor de natação, por ter me feito perceber que virada na piscina é a coisa mais sem noção e suicida que alguém já inventou. E agradeço ao Nelson, professor de dança, por todos os forrós e sambas de gafieira dançados sensacionalmente bem. Agradeço ao dono da casinha roxa em Aiuruoca, pela excelência em arquitetura. E ao Rodrigo Santoro, por ter saído rápido de Lost. Agradeço por ter pego o buquê e Cida, minha cartomante favorita, você me paga da próxima vez que eu for aí. Agradeço aos melhores professores de inglês de todos os tempos, e em especial àquele que dizia que eu era ‘wonderful’. E agradeço ao Douglas pelo estímulo de fazer a aula. E por algumas coisas mais. Agradeço à Daia pelo corte de cabelo sensacional, mas agradeço à Kimie por tantos anos de dedicação e corte reto, como eu sempre quis. Agradeço à Rose pelo vestido amarelo que me deixou gorda. À dermatologista por não ter me deixado ficar careca, e à ginecologista açougueira por ter descoberto o milagre do fim de minhas cólicas infernais. Agradeço a todos os meus compradores de Mercado Livre. E aos professores e alunos da aula de dança, por serem sempre tão agradáveis e fazerem parte dos melhores momentos atuais da minha vida. Agradeço ao Tadeu, meu corretor, por ter me livrado daquela gente chata. E ao seu Janis, marceneiro, por ter transferido meu guardarroupa embutido. Aliás eu agradeço os porteiros do meu prédio, no empenho pela busca de um chaveiro no dia em que eu perdi a chave, e na luta pra pegar quando a mesma caiu no vão do elevador. Porteiros de ouro. Agradeço ao vizinho de cima por ser tão silencioso. E ao negão, por ter comprado uma persiana. Agradeço ao mar, por todos os momentos de cumplicidade. E ao céu, pela grandeza de cobrir toda uma população. Agradeço pela minha fé. Agradeço aos meus pais, por todos os bens materiais e por me ensinarem que as coisas lá fora podem ser bem mais fáceis que as daqui de dentro, e que a minha autossuficiência, autossegurança, autoestima e todas as outras autos deveriam brotar em mim como passe de mágica e sem ajuda. E que eu nasci sozinha e assim permanecerei até o fim dos meus dias. Agradeço ao meu irmão, por ter nascido e mudado toda a minha vida pra melhor desde esse momento. Por todas as vezes que me antena ao mundo nerd, por tantos detergentes no nariz, por disussões intermináveis de arroz por baixo do feijão e por luta corpo à corpo na hora da refeição. Por ter me feito correr na subida e por tantas vezes que se fez um bebê difícil de segurar no meu colo. Por todos os desenhos de Cavaleiros do Zodíaco. E por elogiar a minha comida tantas vezes. Agradeço à Sissi, por ser tão mais amiga do que tia, irmã, prima, gêmea japa ou qualquer outra denominação que pudéssemos ter. Agradeço pela presença e por me acompanhar e me ajudar sempre em tudo. Não sei o que seria de mim sem você. Agradeço à minha avó, por toda a serenidade e por sempre ter me mostrado que tudo não passava de tempestade em copo d’água. E ao meu avô, meu padrinho, por todo o carinho muito além do esperado e muito cheio de saudades. Agradeço à tia Sandra, por toda a dedicação que sempre teve comigo e por ter me apresentado o queijo gorgonzola, e aos outros tios, primos e avó paternos, por fazerem com que eu me sinta amada a cada abraço apertado. Agradeço à Luana por todas as orientações sem-glúten da face da Terra. Agradeço ao Bruno, por ter sido tão tio, por tantas tardes inesquecíveis de coelhinhos, por partidas cheias de favelados no WAR, por ser cobaia no meu doce de ovo, por ter me apresentado ao Lost, pela tarde no kart, por tantas apresentações de teatro e por ter me feito chorar de rir sendo Clodoaldo. Agradeço ao David, por ter sido também bem mais que tio, e por ter estado presente em momentos que estarão gravados para sempre na minha memória. Saudade da sua presença. Agradeço à Tali, por ter sido sempre tão companheira e tão igual em tudo o que se referia a shows, música, pintura. Mas agradeço infinitamente mais por você ter voltado. Miniatura minha, alguém já dizia. Alguém esse que ficou por muito tempo e fez muita diferença. Alguém que me fez muito feliz e que eu nem tenho palavras pra agradecer. Tudo o que eu aprendi, tudo o que eu vivi, tudo o que ficou. Pessoa inesquecível, pessoa que tem toda a minha ternura para sempre. Agradeço também a todas as pessoas agregadas a ele e que fizeram parte da minha vida por 6 longos anos. Família e amigos sensacionais, sem sombra de dúvida. Parte importante do meu passado. E, falando nisso, agradeço também àquela outra pessoa, que me ensinou a ser esperta. Me ensinou a esnobar. Me ensinou a recusar pedidos de casamento. E me ensinou o que o resto da população masculina costuma elogiar. Agradeço à Isis, por ser a amiga Barbie mais trabalhada no secador de todos os tempos, que me faz rir horrores e que não esquece de mim quando preciso. À Débora, por ser a amizade mais inusitada e divertida, que me leva de curso de passar roupa a Natal, me leva pra ver e me indignar em Fuerza Bruta, me empurra para primeiro dia de aula de dança e se perde comigo em Itaquera. Aos amigos de Vivo, por estarem presentes quando precisei, em especial Dani, Dejair e Andresa. À ex chefe, por ter brotado em mim a semente do 'eu sou melhor'. Aos chefes de SESC, por terem me ensinado a aprender as coisas por osmose. Quase tudo o que eu sei de informática. Aos colegas de GV, pelas várias tardes de hot dog e poucas noites de cervejada. À Iara, por falar mais que os cotovelos e ser a melhor amiga de baile que eu podia ter. À Vânia, que apesar de todos as reviravoltas que a vida deu, continua do meu lado sempre e pra sempre. Ao Wagner, por ter ficado do meu lado apesar de tudo o que perdeu. E por todas as coisas amarelas que existiram. À Ju, amiga agregada e de balada, pau pra toda obra e integrante de uma das famílias mais fofas que eu conheci na vida. À Sabrina, Fabi e Priscila, por todo o carinho de amigas também agregadas, mas nem por isso menos importantes, cada uma de um jeito. Ao Alexandre, por ser o amigo gay mais cherry e chique de todos os tempos. E agradeço também à Jana, por ter sido tão importante e amiga no momento mais difícil da minha vida. À Fersi, por tantas conversas fofas e ao Ed, por ter transformado tudo o que eu já não me importava mais. Não foram as pessoas que eu mais encontrei na vida, mas foram sem sombra de dúvida as que mais me divertiram e mais me ajudaram a ser feliz diariamente. Mesmo de longe.
Agradeço também às novas amizades feitas aos poucos e regadas de contato diário via esse blog e via twitter. Taty, Ju Ferrer, Lilly, Silvia, Lilica, Ju, Evelyn, Anna. Agradeço à saudosa Lilith. E, claro, agradeço a você, leitor, por toda a paciência em me ler e deixar comentário. Porque esse blog com certeza não teria tanto sentido se não fosse assim. Momentos da minha vida e pensamentos meus, compartilhados dia a dia com vocês e que retornam, sempre, em carinho e atenção. E por mais que eu odeie ser frufru, devo admitir, à lá William Bonner: ‘obrigada. Vocês são show!’